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Cotidiano e Memórias


DO DIA DE FINADOS

A morte é tão permanente! Em qualquer momento ela se manifesta. Ali, acolá, hoje, ontem e amanhã também ela virá ter com os convivas do mundo. A vida, apesar de permanente também, já é sentida ao contrário, porque se está o tempo todo querendo viver, buscando viver. Deste ou daquele jeito, mas invariavelmente se deseja viver. E isto é tão insensato que o projeto de vida da humanidade se baseia em querer viver mais e melhor. Desejo de intensidade, que às vezes até se esquece da permanência da morte.

Há mais de 30 anos existe uma campanha mundial que diz “dirija com cuidado”. O objetivo desse slogan é o de lembrar àqueles ocupados em buscar a vida que a vida já é, e que é a morte que pode aparecer logo ali na esquina. Talvez fosse pertinente lembrar aos mais apressadinhos que a morte está agarrada à janela, junto à porta dos seus carros, nos postes de luz, nas buzinas atrevidas, na vontade de fazer média com o gerente do trabalho sendo pontual, e não se deixando atrasar por causa do trânsito – ou do sono também!

Do mesmo jeito que o casal vida/morte é permanente, os mortos também o são. E sempre serão permanentes os mortos, independente da possibilidade mística do retorno ou, se há um outro lugar para as almas irem ter com o Divino, independente também desse “outro” mundo. Pelo que se sabe até aqui só aos vivos não foi dada a qualidade da permanência. Os que não foram ainda, irão! E os que virão também hão de ir!!!

Acaso podes ser um dia, para os vivos, um morto permanente e, quiçá, nem se lembrarão mais de você do jeito que poderia ser lembrado. Alguns, apenas notarão sua memória em decorrência dos registros de cartório ou placas de identificação nos cemitérios. Outros, não poderão sequer saber daqueles que não possuem registro civil de entrada no mundo, o que inviabiliza o registro de saída. Mas para a vida/morte os papéis dos homens pouco importam.   

Por isso, cuide da sua vida!



Escrito por Nelio Peres às 22h52
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Querido(a) leitor(a), o texto que segue abaixo foi dividido aleatoriamente em nove partes, sendo que as oito partes iniciais formam um texto único, enquanto a última apresenta algumas referências para uma eventual consulta para quem se interessar pelos tópicos da discussão. Espero poder suscitar algum debate com o texto de circunstância acadêmica, apesar de não ser esta a natureza que motiva este blog. Minha pretensão é dividir com você, leitor(a), minhas suspeitas sobre um dos mais variados tópicos da educação contemporânea, como forma de contribuir para as minhas reflexões. Então, leia e comente, como de costume.

Escrito por Nelio Peres às 00h02
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Campo de Atuação do Profissional Pedagogo: reflexão[1]

 Nélio Borges Peres[2]

 

De acordo com a tradição moderna, a Pedagogia é uma instituição voltada para os cuidados da formação humana. E enquanto ciência formadora de profissionais da educação, ela deve atuar no âmbito da formação de crianças, jovens e adultos, a fim de prepará-los para a vida em sociedade, humanizando os indivíduos (MANACORDA, 2004), no sentido de promover as condições básicas para que eles se tornem trabalhadores cidadãos (GOMES, 2005).

Acontece que a Pedagogia foi encastelada na sociedade moderna, numa concepção política conservadora que lhe atribuiu funções especificamente formais, limitadas ao âmbito escolar e caracterizadas pelo exercício da formação técnica, numa concepção instrumental e utilitarista, que defende a idéia do enquadramento dos indivíduos na vida social em torno da atividade do trabalho. Quanto a isto, o filósofo-historiador francês Michel Foucault, disse se tratar de uma educação que disciplina o indivíduo e prepara-o para a vida social com obediência, adestrando o corpo de cada um, tornando a vida em sociedade um ambiente propício para os interesses da empresa moderna que nascia sob as luzes dos séculos XVIII e XIX (FOUCAULT, 2003).

Desta forma, a mentalidade moderna enraizou a concepção de uma educação técnica profissionalizante de forma reducionista, em detrimento da educação intelectual, formadora do espírito humano, divorciando definitivamente o homo sapiens do homo faber, dentro de uma estrutura pedagógica vertical que, no seu bojo, naturalizou a formação intelectual de um grupo restrito de pessoas privilegiadas, enquanto que ao restante da sociedade coube freqüentar um tipo de instrução meramente preparatória para o saber fazer. Os trabalhadores cidadãos dos séculos XIX e XX acabaram reduzidos a seres obedientes, homens e mulheres, todos disciplinados a agirem, sem saberem pensar sobre suas próprias ações (FREINET, 1998).



[1] Texto elaborado exclusivamente para a Oficina Pedagógica: As Dimensões de Atuação do Profissional Pedagogo no séc. XXI, organizada dentro do III Congresso de Pedagogia da Faculdade Padrão – Goiânia/GO, dia 31/10/2007.

[2] Mestre em História e Cultura (Política) pela UNESP-Franca/SP. Professor de História da Educação e  Iniciação Cientifica na Faculdade Padrão – Goiânia/GO.



Escrito por Nelio Peres às 23h54
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Na perspectiva que pensa a estrutura para a ação pedagógica transformadora, foi que se construíram os debates contemporâneos em torno do resgate do sentido histórico da pedagogia enquanto instituição formadora de homens e mulheres melhores, para a vida social e não apenas para o labor industrial e competitivo do mercado liberal. A idéia do melhoramento do ser humano passou a ser vista pelas políticas oficiais dos governos nos Estados modernos como uma forma de se associar o corpo do homem às engrenagens da máquina produtiva, sem prejuízo para a economia e com um sombrio destino para a humanidade: a desumanização do Homem, como mostra Chaplin, no seu filme intitulado acertadamente de Tempos Modernos.

As concepções mecanicistas, reducionistas e utilitaristas que se formaram sobre a educação e, conseqüentemente, sobre o papel do pedagogo na sociedade moderna, provocaram a naturalização do anti-natural, ao incumbir a escola de ser o espaço ideal para o preparo dos homens para o trabalho, em detrimento do sentido original da Pedagogia, que sempre foi o de preparar o homem para a vida, tornando-o humanamente melhor (CAMBI, 1999).

A partir daquele modelo pedagógico, historicamente construído pela sociedade moderna, é que se tem desenhado os limites para o debate contemporâneo sobre o papel da Pedagogia e o ofício do Pedagogo. Principalmente, porque é a própria formação do pedagogo que entra em questão quando pensamos em quem prepara as crianças, os jovens e os adultos para se tornarem trabalhadores cidadãos. Isto implica em olhar para os cursos de Pedagogia a fim de perceber como é que se processa a formação do profissional que também deveria ser preparado para a vida, e não somente para o exercício técnico de suas funções laborais (FONSÊCA, 2006).

Fonseca[1], em um artigo sobre os espaços de atuação do profissional pedagogo, disponível na rede mundial de comunicação, possibilita perceber o sentido da desconfiança que tem levado muitos educadores a buscarem alternativas para a condição normativa na qual se encontra a Pedagogia atualmente. Segundo ele, o que acontece é que os próprios cursos de Pedagogia encontram-se divididos: de um lado, para a formação de bacharéis e, de outro, para a formação de licenciados. O próprio tempo para a formação do profissional pedagogo é posto em xeque pelo autor, quando este avalia os espaços crescentes para a atuação deste tipo de profissional. Cursos cada vez mais reduzidos, em seu tempo de conclusão e nos seus currículos, preparam profissionais para serem meros repetidores das técnicas desenvolvidas para o enquadramento dos indivíduos, de acordo com a lógica economicista e utilitarista da racionalidade produtiva. E isto, com total apoio das políticas oficiais que se confundem no momento da aplicação das suas intenções.



[1] O artigo de Fábio do Nascimento Fonseca foi utilizado como parâmetro para a presente reflexão, e está disponível no site: http://www.wikilearning.com/referencias-wkccp-16458-2.htm



Escrito por Nelio Peres às 23h54
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Segundo Fonseca, é inegável o valor e a emergência dos debates sobre este tema, principalmente porque à execução das políticas oficiais sobre a educação cabe aos educadores o papel de melhorar, e não apenas o de executar o que está posto. E melhorar não significa adestrar, enquadrar o indivíduo de acordo com a lógica reducionista dos operadores do capital, mas sim tornar os indivíduos aptos para o exercício da sua cidadania, humanizando “novamente” o homem e criando possibilidades para que ele consiga se realizar como tal (ANTUNES, 2000).

Ao adentrarmos os portões deste limiar do século XXI, todos, homens e mulheres, somos “preparados” para o alargamento de nossas vidas graças às possibilidades abertas pela globalidade do mundo. Isto significa que nossos espaços de ação ganham novos contornos e exigem de nós maiores e melhores conhecimentos sobre aquilo que desejamos e precisamos realizar (IANNI, 2002). Quanto à Pedagogia e ao profissional pedagogo, especificamente, são atribuídos novos valores ao mesmo tempo em que permanecem as velhas práticas da tradição reducionista na educação. Quem é o profissional pedagogo e para o que ele serve em nossa sociedade contemporânea? Essa é a questão que pretendemos suscitar neste momento.  

Mas primeiro é preciso considerar a sociedade na qual agimos e sobre a qual pensamos. As transformações do mundo global passaram a exigir mais flexibilidade e maior empenho por parte dos profissionais de todos os setores. E com os pedagogos acontece o fenômeno de serem chamados, agora, a atenderem outras demandas por educação que extrapolam os limites formais da educação escolar (DEBREY, 2003).



Escrito por Nelio Peres às 23h53
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A sociedade precisa de pessoas melhores. Empresas, Hospitais, Centros de Formação de Condutores, Escolas de Computação, Times de Futebol, dentre tantas outras instituições, passaram a necessitar de profissionais mais bem capacitados para o exercício de suas funções. As cidades, o campo e todo meio ambiente no qual o homem se insere passou a precisar de um indivíduo que conheça melhor os ciclos de produção e que esteja bem informado sobre as conseqüências das suas ações para o ambiente no qual eles vivem. Os governos precisam de cidadãos afeitos ao exercício de suas funções sociais, a fim de promoverem com certa relevância suas políticas públicas, com menos desperdício e com mais produtividade. E para isto a educação passou a ser vista como um fenômeno que se manifesta em todos os lugares onde o homem esteja inserido. Qualquer lugar em que haja homens e mulheres deve haver ensino e aprendizagem. E é aqui que o profissional pedagogo se insere.

O trabalhador cidadão, que antes devia ser educado formalmente pela escola, para a atividade produtiva, limitada ao âmbito do capital, começa a ter de reaprender suas funções dentro da sociedade. O tempo livre do trabalho, por exemplo, enquanto momento de lazer e descontração, passa a ser delineado pela racionalidade contemporânea como sendo um momento de aprendizado. O lazer produtivo ou, o “ócio produtivo”, para usar um termo do famigerado sociólogo italiano Domênico Demasi, torna-se  o instante no qual o trabalhador cidadão deve reaprender os seus hábitos, adequando seu entretenimento cotidiano ao exercício de responsabilidades civis, adequadas ao ambiente no qual ele, e outros iguais a ele, se inserem. Deixando de lado as conseqüências obscuras deste tipo de pensamento sobre o ócio para o trabalhador, cabe fazer uma ressalva: na medida em que o tempo livre é invadido pela idéia da produtividade, o ser humano mergulha mais ainda na sua desumanização porque é remetido ao cumprimento de tarefas que extrapolam o âmbito da empresa e da sua jornada de trabalho sem, ao menos até aqui, nenhum tipo de prejuízo para seu empregador. Na visão do sociólogo Ricardo Antunes, opera-se o oposto do imaginado, porque os empregadores desejam cada vez mais funcionários que levam trabalho para a casa, ou que se reúnam para um lazer coletivo que propicie discussões sobre questões pertinentes para se melhorar o desempenho da empresa na qual prestam serviços. (ANTUNES, 2000).



Escrito por Nelio Peres às 22h24
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Mas, voltando ao tema original deste texto, cabe o profissional pedagogo prestar seus serviços à sociedade, no sentido de melhorar cada vez mais as condições para que as pessoas consigam desenvolver suas potencialidades cívicas com ética, tendo suas ações baseadas em valores transmitidos pela educação (MÉSZÁROS, 2005). Enquanto valor moral, o tempo livre ganha novas dimensões e as pessoas passam a ter de adequar seus hábitos e costumes às novas posturas exigidas pela sociedade. A vida coletiva exige uma ética que a sociedade reclama, mas da qual ela permanece alheia. Uma ética do humano, para parafrasear Leonardo Boff, onde as pessoas estejam comprometidas com suas funções e ao mesmo tempo exerçam as mesmas, mas reconhecendo o caráter humano das ações que devem empreender para a espécie e para o meio ambiente no qual a espécie se produz.

Pensando nisto, muitas empresas tem lançado mão da contratação de pedagogos. Fora do âmbito escolar, da formação presencial e das atividades avaliativas dessa formação, ao pedagogo é destinado um novo espaço, muito mais amplo do que o da tradição escolar e, por isso mesmo, muito mais complexo, porque envolve todo o espaço social de ação humana. E isto, por si só, basta para percebermos o quanto à ação pedagógica se exige pedagogos capazes de darem conta das novas demandas sociais.

No que consiste à chamada Pedagogia Empresarial, por exemplo, para melhorar o desempenho dos funcionários de uma empresa, são chamados os pedagogos, que devem atuar no sentido de formarem, permanentemente, as consciências da mão-de-obra que, historicamente, limitavam-se ao fazer técnico instrumental, de saberes reduzidos ao âmbito da operacionalização da máquina. A “pedra angular” da Pedagogia permanece, mesmo fora da esfera escolar, pautada pela ética e pela moral (FONSÊCA, 2006).

Mas que tipo de pedagogo conseguirá exercer tal função, se a própria estrutura da sua formação não lhe possibilitar condições favoráveis para este fim? Neste caso, mineiramente pensado (desconfiado!), o alargamento do campo de atuação do pedagogo pode parecer ser apenas um aspecto quantitativo. Mais lugares para atuar da mesma maneira tradicional, reducionista, com que ele aprendeu a atuar durante a sua formação acadêmica. É por isso que se precisa cuidar de analisar esta questão de forma mais abrangente, com uma complexidade maior que o tempo destinado a esta comunicação.



Escrito por Nelio Peres às 22h24
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As mudanças de concepções sobre os espaços do pedagogo decorrem das novas relações sociais produzidas a partir das novas formas de produção que, por sua vez, são criadas pelas novas técnicas produtivas, como já diagnosticara Marx, em O Capital. As novas relações entre capital e trabalho exigem que os trabalhadores sejam mais do que operadores de máquinas (ANTUNES, 2000). Da mesma forma, no que diz respeito aos pedagogos, a sociedade espera que eles sejam mais do que amestradores de crianças, jovens a adultos. A ação pedagógica, dentro e fora da escola, exige dos pedagogos que eles sejam transmissores de saberes e não apenas de técnicas. Conhecimentos, conceitos, habilidades, hábitos, procedimentos, crenças, atitudes, são saberes teóricos e práticos necessários à formação dos indivíduos. Mas antes de tudo, são saberes necessários à formação dos próprios pedagogos.

É chegado momento de se usar o “martelo” para poder pensar a pedagogia. Quebrar tábuas de valores e enterrar os ídolos, para usar pretensiosamente os termos elaborados por Nietzsche no final do século XIX. Isto, posto a lembrança do pensamento de Fonseca em seu artigo que originou a presente reflexão.

Segundo este professor lá da Paraíba, Beillerot (1985) e Libâneo (2002) empregam um termo que diz que a sociedade contemporânea tornou-se uma “sociedade pedagógica”. Para Fonseca, o que Libâneo diz sobre isto é significativo, e vale para interpretar o pensamento atual sobre a ampliação da atuação do pedagogo. O que Fonseca considera importante no pensamento de Libâneo é o fato de que nele, a Pedagogia tradicional traz em seu bojo práticas concebidas de forma utilitária, reduzidas ao ensino de técnicas e posturas conservadoras destinadas apenas ao enquadramento social dos indivíduos, sem ao menos possibilitar-lhes as condições básicas para o exercício da sua autonomia. Como conseqüência disso, a “sociedade pedagógica” corre o risco de ser uma sociedade de indivíduos inaptos para o pensamento e para a reflexão das suas práticas, dificultando assim o exercício da ética, da moral e por extensão, da cidadania (FONSÊCA, 2006).



Escrito por Nelio Peres às 22h23
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Por outro lado, uma formação exclusivamente teórica implica na formação de indivíduos inaptos para a atividade produtiva, uma vez que não recebem os ensinamentos necessários para a formação de suas habilidades práticas (Idem). Parafraseando quase sem querer a doutrina milenar budista, o que os educadores indicam é que deve haver um “equilíbrio”, buscando-se atingir o “meio termo” dessas questões. Principalmente, porque elas não são antagônicas, como às vezes são colocadas. O saber fazer e o saber pensar devem se completar, sempre a fim de que os homens e as mulheres possam convergir para a formação de uma sociedade sóbria e equilibrada sobre os seus próprios paradigmas contemporâneos.

Mesmo assim, as políticas oficiais estão postas contra esses ideais debatidos até aqui, e quando são levadas a termo pela prática, o que se percebe é que quanto maior for a desconfiança melhor para o observador será, caso este tenha interesse em compreender de fato o que está sendo processado atualmente em torno dele. Ora, ao mesmo tempo em que se aplica o reducionismo, de forma a instrumentalizar a formação do pedagogo e dos indivídios que são formados por eles, cobra-se também uma formação sólida por parte de quem irá exercer a educação. – Dá-se a faca a um mineiro na medida em que lhe impedem de cortar o queijo.

Na visão cuidadosa de Fonseca, a proliferação dos cursos de Pedagogia tem privilegiado a formação técnica instrumental dos alunos em detrimento da formação teórica. Ensinam-lhes as habilidades direcionadas para os nichos do mercado, sugerindo a formação de profissionais da educação com competências para o exercício técnico profissional de formação fragmentada, focada na exclusiva atuação em campos delimitados da prática educativa, forçando-os a crerem numa pedagogia limitada apenas à formação na infância das crianças. A ênfase dada por esses cursos recai sobre a prática reducionista, centrada na separação do homo sapiens com o homo faber.  Ora, é equivocado pensar num curso de pedagogia que sonegue dos alunos o conhecimento das práticas de ensino, do mesmo modo que também é equivocado pensar o contrário. Um curso de Pedagogia que sonegue dos alunos o conhecimento teórico também esta fadado ao fracasso (FONSÊCA, 2006).



Escrito por Nelio Peres às 22h23
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Em qualquer área de atuação do pedagogo, a sua prática exigirá dele experiências com estudos sistemáticos e muito mais avançados no campo da educação, a fim de que ele possa responder aos desafios que ora se apresentam. A redução do saber pela aprendizagem técnica cria profissionais capazes de promoverem adaptações úteis dos indivíduos na demanda do mercado. Mas isto é permitir que a tarefa educacional se subordine à lógica do capital. E nessa lógica, a naturalização das práticas põe em risco a própria formação, reforçando a desconfiança em um futuro obscuro e tenebroso para a sociedade que carece de indivíduos críticos, afeitos ao estudo e à investigação da sua própria condição enquanto seres humanos.

A dimensão ética na educação das crianças, dos jovens e dos adultos visa a preparação moral de valores para que as pessoas possam se inserir na vida social, participando como cidadãs enquanto vão sendo ocupadas por práticas produtivas no mundo do trabalho (MÉSZÁROS, 2005). Por isso, a prática educativa não pode ser entendida apenas na sua dimensão instrumental, desconsiderando o sentido ético e a intencionalidade política de cada ação. E é por isso que vem se dando ênfase na atenção que deve ser dirigida ao se pensar no alargamento da profissão do pedagogo.

Os novos espaços estão aparecendo na medida em que o fenômeno do alargamento do alcance da pedagogia cria a ampliação de atuação do pedagogo no campo da vida social. A Pedagogia não é limitada mais ao âmbito formal da escola, mas os seus princípio éticos de formação humana permanecem em todos os lugares onde ela alcança. A nós, cabe compreender esse processo e cuidar de elucidar a quem ele realmente serve, explicitando e acusando as suas contradições.  



Escrito por Nelio Peres às 22h22
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REFERÊNCIAS

      

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao Trabalho?: ensaios sobre a centralidade e as metamorfoses do mundo do trabalho. São Paulo: Cortez, 2000.

 

CAMBI, Franco. História da Pedagogia. Trad. Álvaro Lorencini. São Paulo: Unesp, 1999.

 

DEBREY, Carlos. A Lógica do Capital na Educação Brasileira. Goiânia: Ed. Alternativa/UCG, 2003.

 

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Trad. Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1987.

 

FREINET, Célestin. A Educação do Trabalho. Trad. Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

 

GOMES, Ângela de Castro. A Invenção do Trabalhismo. Rio de Janeiro: FGV, 2005.

 

IANNI, Octávio. O Cidadão do Mundo. In: LOMBARDI, J. C., SAVIANI, D. & SANFELICE, J. L. (orgs.) Capitalismo, Trabalho e Educação. Campinas: Autores Associados, 2002.

 

FONSÊCA, Fábio do N. Acerca da Ampliação dos Espaços de Atuação do Profissional Pedagogo: inquietações, ponderações, cautelas. In: http://www.wikilearning.com . (Acesso em 26/10/2007).

 

MANACORDA, Mário A. História da Educação: da antiguidade aos dias atuais. São Paulo: Cortez, 2004.

 

MÉSZÁROS, István. A Educação para Além do Capital. Capinas: Boitempo, 2005.



Escrito por Nelio Peres às 22h22
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