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Cotidiano e Memórias


Elogio ao Professor

No Planalto se ouviu dizer, senadores e deputados disseram de verdade: “Parabéns, a todos professores e professoras deste País”. É dia de pensarmos as políticas públicas destinadas para que se faça a educação do nosso país funcionar. Ouvis-te bem, leitor: “para que se faça a educação ... funcionar” Se fosses um leitor desavisado poder-te-ia argüir, de si para si: Mas como, quer dizer que não funciona? E nos outros trezentos e tantos dias, nos quais quase nada de relevante funciona para as pessoas em Pindorama, o que se faz? Algumas respostas já são anunciadas e, oficialmente e extra-oficialmente, parecem convergir para as bravatas e ladainhas de sempre. Mas vamos lá, ao menos o tema ainda é discutido.

 

Oficialmente:

Segundo o sr. Deputado Federal Paulo Pain (PT/RS), existem conferencias sérias que discutem a educação no Brasil e que, inclusive, estive presente em uma, realizada ainda a pouco, na cidade de Porto Alegre, na qual foi palestrante. Em eventos como estes (exemplo do “Pensar 2007”), pessoas conhecidas no fabuloso mundo da mídia são convidadas (com soldo adiantado), para falarem sobre o “seu” tema. E falam. Falam, dizem, mostram gráficos coloridos e até orientam os mais desorientados. Alguns, mais emocionados, até choram (de raiva ou de paixão?) com as representações encenadas. Nesses lugares, as pessoas buscam ficar felizes. Escutam dedicadamente cada palavra, cada frase e anotam tudo que soa como efeito para os seus sentidos. Aprendem truques novos que poderão ser reproduzidos em salas de aula. Confirmam opiniões pessoais sobre a situação do ensino. E regozijam ao descobrirem que pertencem ao universo educacional pintado pelos pseudo-renascentistas da nossa educação (que estão mais para dadaístas!).  

No Senado, o sr. Papaleo Paes (PSDB/AP), que se diz ex-professor (por ter lecionado durante cinco anos, enquanto concluía os estudos de medicina), disse que o Poder Executivo tem realizado efetivamente pouco em relação à aplicação das verbas destinadas ao ensino em Pindorama. E num ato de bravura e coragem, bateu sistematicamente num morto. É que ele estava falando do papel do Estado no ensino! Ora, a ausência do Poder Executivo nas práticas sociais não é moda nova. Qualquer pessoa instruída sabe que esta forma de exercer o governo, diminuindo o papel do Estado, é prática ideológica e figura discursiva do ninho tucano. Mas vá lá, sr. Papaleo, hoje é dia 15 de outubro, é dia de falar sobre os professores e a educação para alfinetar o adversário.

Extra-oficialmente: (e ainda bem que isso existe), já ouvi carro de som acusar professores em greve de vadiagem: “Tem gente que reclama demais, não quer trabalhar e quer ter aumento de salário”. E desta mesma forma embriagada, já ouvi poetas cantarem pelas ruas: “Professor, agente transformador/ Do teu ofício docente, faz um País trabalhador”. São outras duas impressões, digamos assim, apaixonadas, sobre a mesma coisa.

 

A Esquerda, acredita no diálogo transformador. A Direita, mantém sua proposta de transformação do diálogo. Ao centro, um governo vermelho e azul, desfraldado sob um fundo branco. Dialoga, transformando seu próprio discurso em nome da governabilidade.  Dentro do miolo da massa esquecida vão crescendo os fungos. A espuma verde espera, porque esperar é o verbo que mais age em Pindorama e no Mundo. Naturalizou-se o processo social em torno da mecânica. A massa precisa esperar para poder ficar pronta. Enquanto isso os padeiros vão tomando conta do pedaço.

Ser nobre, em Pindorama, é questão de opinião, diria o um professor e escritor, personagem do filme Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi. Será que é por isso que não precisamos de bons professores para todo mundo em idade escolar ideal? Será que precisamos de bons paliativos que não deixam a massa se perder com idéias criativas, em ações questionadoras que visam à transformação, de fato, nos hábitos e costumes (também) dos padeiros?

 

Costumo acreditar que existem coisas muito piores do que as que são ruins. Mas me agarro sempre na esperança de que algo de bom sempre possa aparecer. E fico de olho pra fazer acontecer. Claro que nem sempre é possível, agente se cansa, as traições aparecem, os meios não ficam mais disponíveis, e agente pára. Mas logo começa tudo outra vez, e assim se continua indo. Por isso, prefiro olhar para o Dia 15 de outubro como mais um dia do ano. O meu humor não altera por ser um dia disto ou daquilo. Não causa efeito emocional. Por enquanto, prefiro seguir crente na minha fé, de tipo classe média. Vou continuar agindo e esperando, ficando verde enquanto vivo.



Escrito por Nelio Peres às 10h40
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