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Cotidiano e Memórias


Pensar (2007): o que pensar?

A elite intelectualoide goiana está regozijando. Parabéns! Vocês conseguiram se superar. Aliás, vocês não se cansam de se superar!

Esta noite, dia 5 de outubro, arrisquei uma atividade de campo com alguns discípulos, alunos e alunas do curso de Pedagogia, no qual sou professor de História de Educação Brasileira, e fomos ao Congresso Pensar (2007), em Goiânia. Mais uma vez as terríveis propagandas midiáticas realizaram um marketing feroz, e anunciaram o momento de se pensar a educação goiana e nacional, a partir daquilo que é produzido pela inteliguencia em Pindorama, explorando descaradamente a boa fé da população local.

 

Na prática, assistimos à permanência da moribunda estrutura educacional brasileira, falida: conferências para a elite e estandes repletos de panfletos que convidam os transeuntes a se inscreverem num curso ou noutro – todos, claro, oferecendo as melhores condições de pagamento e as melhores soluções para os problemas existências de cada um. Estratégias para uma educação como negócio. O império da propaganda venceu mais uma vez. Parabéns, El Populary, você mostra mais uma vez o poder da mídia de transformar a ficção em realidade, em um pitoresco benefício, que de fato só serve para a promoção do capital.

 

Quem esteve no Pensar em outros anos, ou mesmo nesta semana, por pelo menos alguns minutos, pôde perceber que existe uma divisão que culmina em dois eventos feitos num só, ao mesmo tempo ocorre o Pensar da elite e o Pensar do povo.

 

De cima para baixo, as conferências, geralmente sobre temas relevantes, mas que quase sempre acabam em cerimônias egocêntricas, com conferencistas e palestrantes misturando os seus temas com as suas vidas pessoais. De baixo – que quase nunca vai para cima –, estandes promocionais de instituições de ensino vendendo e anunciando seus produtos. Vá lá, existem estandes interessantes, como os que mostram trabalhos de estudantes de diversas instituições locais e outros que promovem vendas de livros e artigos para a educação. Mas a proposta estampada nos noticiários, a de pensar a educação, permaneceu longe da realidade anunciada com estardalhaço.

 

Talvez, agora que escrevo essa opinião, seja possível criar conjectura sobre o por que não vi a presença de um estande da UFG por ali (acaso alguém viu?). Quem sabe essa instituição preferiu reservar sua imagem para algo feito de forma mais séria? A Universidade Católica estava lá, imponente, com um avião – isso mesmo, um avião! – anunciando sua marca. Creio que esta tenha sido uma estratégia simbólica de maior envergadura para fazer pensar um dos mais antigos paradigmas educacionais: a introspecção. Sim! Pois quando me deparei com a aeronave estacionada no salão, fui imediatamente tomado por uma cena escolar e lembrei daqueles momentos em que os alunos ficam com o pensamento longe, voando na sala de aula.

 

Em outro estande, onde as pessoas pareciam demorar mais tempo olhando, estavam expostas fotografias de uma das maiores tragédias radioativas do mundo. Pensei nas pessoas que morreram, nas que ainda vivem com seqüelas, e o que é pior, no tempo que já passou e no qual a Justiça (ainda) não justificou ser justa.

 

Mas estas considerações não são só minhas. Como disse ali em cima, estava acompanhado por alguns grupos de acadêmicos. E nossas percepções não foram muito diferentes, pelo menos no que diz respeito à leitura histórica da realidade, objetivo do exercício de observação. Não pude ler os seus relatórios ainda, porque serão entregues na semana que vem, mas o que o mestre de ofício ouviu de alguns aprendizes é considerável. Coisas do tipo: quem pode pagar para participar dos espetáculos destinados à elite goiana participa, quem não pode pagar pelo produto anunciado se contenta em ter a sensação de ter participado. Nada de novidade. O evento goiano conseguiu ser mais uma vez um momento de promoção da educação como espetáculo.

 

O discurso elitista, em suas elucubrações academicistas, recebe os aplausos nos auditórios abarrotados de clientes e o povo passeia em meio aos panfletos e ventiladores de teto que despejam um arremedo de água para aliviar o calor. Agora resta esperar pelo desfecho de tudo isso no telejornal de segunda-feira: “um sucesso de público”, é o que provavelmente se verá nas manchetes. E alguns comentaristas terão o disparate de dizer que o público está tomando consciência da necessidade de se pensar a educação e que, no ano que vem, os organizadores devem esperar por um número maior ainda de participantes. E se estas previsões que faço forem mesmo comprovadas na semana que vem, a mídia local fechará com chave de ouro aquilo que ela mesma consegue criar: um fetiche.



Escrito por Nelio Peres às 09h56
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JORNALECOS: dominação mental e empresa de capitais.

A comunicação de massa em Pindorama ressalta coisas sobre guerras, fotografias vermelhas e manchas em meio aos classificados, marcas de hidratante e receitas de como ser feliz. Acordarmos como que se estivéssemos dormindo, sonhos lindos em lugares limpos e saudáveis tomam o nosso redor. Do caos midiático precipitam anúncios de concurso público e a esperança de que tudo deve mudar. (Viva a mídia!) Com ela tudo tem uma “boa explicação”. Até a miséria humana. Despertamos do sono fisiológico para adentrarmos no fabuloso, no fantástico mundo da mídia, que ecoa como o arauto das boas intenções. Nada se explica, nada se discute, a não ser os bumbuns das moças bonitas das novelas e propagandas de cerveja. Nada sobre a possibilidade que Pindorama tem para ser um país de verdade, ao invés desse arremedo insólito de nação multiétnica embutida de objetivos comuns em torno de um mesmo projeto nacional.

Na província dos Goyasis, por exemplo, a mídia local, aprendiz de feitiçaria dos engenhos Rio-São Paulo, fala sobre a beleza do burgo descolado pelas bandeiras: praças limpas, arborizadas, canteiros de rosas esparramados nas avenidas, meninas com estilo manequim da Revista Brazil e muita música chula confundida com obra de arte em meio ao calor do deserto. As notícias são tão bem vestidas de palavras e imagens que quase acreditamos em tudo que dizem ser feito nos espaços de circulação da província do pequi. Graças ao quarto poder, o poder de comunicação da mídia, como os hodiernos Dyario de la Manhãna, El Populary, Tevî-Ayangueras e outros associados locais. Que vontade que dá de ser amigo da mídia! Tão competente no exercício do seu metier! Podemos lembrar, que enquanto os “novos” déspotas esclarecidos faturavam com os soldos emitidos pela Avestruz Máster, a mídia pequizeira preferiu incentivar o médio populacho a investir economias inteiras num “negócio da china”, com um lucro que seria garantido por um rendimento mensal que chegaria até os incríveis 5%. Mas ao preferir incentivar a compra de ações, a mídia também optou pelo oposto da sua virtude e, contrariando os princípios do jornalismo ético, deixou de informar as pessoas sobre como aquela empresa organizava seu caixa para poder redistribuir tais rendimentos com os investidores e nem de longe discutiu a origem e os antecedentes da mesma no interior paulista, onde já havia ocorrido o mesmo tipo de golpe financeiro.

Para os donos de jornais, senhores de engenho da comunicação local, déspotas esclarecidos numa terra de gente semi-alfabtizada e sedenta por riqueza fácil, nada foi dito sobre os fatos que alguns repórteres encontraram nas visitas in locu; nada sobre o número de aves dentro da empresa, inferior ao número dos registros de posse de aves encontrados com os investidores depois da investigação federal; nada de duvidar dos lucrativos juros superiores aos de quaisquer outros tipos de investimento bancário em Pindorama. Depois da derrocada empresarial, Polícia Federal rondando a cidade, coube apenas anunciar aquilo que todo mundo já estava sabendo, tremendo rombo pra quem comprou ações da empresa. Por que não informar as pessoas, os colaboradores da mídia? Isto é sonegar informação! Com certeza é (também) incentivar o instinto patriótico de enriquecimento fácil, existente desde os tempos em que nossos patrícios mancebos e mal cheirosos pisaram aqui em Pindorama. Mas de que vale tal incentivo? “Ora, se o meu lucro pode ser inevitável, por que impedir que ele aconteça?”, argüiria inteligentemente de si para si um bom senhor de engenho.

 

(Disponível também no blog Dexistencialismo)



Escrito por Nelio Peres às 08h06
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Rebeldia Disciplinada

A geração dos anos 80 é uma geração de rebeldia disciplinada, quanto a isto não há dúvidas (ainda), pois se pensarmos no Defala ou no Joelho de Porco, seremos levados a rever esse pensamento sobre a década do néon, que também nos empresta o surgimento da Língua de Trapo. Quanto ao Renato Russo, lembro de ter visto no programa do Chacrinha alguma coisa a respeito de uma tal legião urbana que eu não entendia muito bem o que era e que fazia eu pensar em desenhos animados sobre a legião estrangeira. Bem, não é isso exatamente um comentário sobre a rebeldia disciplinada que o roqueiro candango quis expressar no seu imaginário pop, mas é que não pude deixar de citar essa lembrança que saltou agora sobre o teclado.

Se o hinduísmo é uma matéria que transcende a realidade para poder experimentar outras formas de explicação para a existência das pessoas, então acredito que a indagação importantíssima que questiona se a disciplina enquanto liberdade é uma forma de religião, deve ser considerável. No hinduísmo é preciso ter disciplina mental para a reflexão dos atos cotidianos. Assim como no seu filho, o Budismo, a fim de se atingir o Nirvana. Tal ascensão se dará no momento em que a alma deixa o corpo para ir ter em outro lugar, superior à realidade material que podemos conhecer em vida. Mas para que se possa sentir a liberdade, digamos, no plano material, é preciso que o hindú tenha disciplina para fazer suas meditações e poder viver sentindo-se realmente livre, cada um em sua casta.

Essa disciplina é um modo de ser, um tipo de conduta, comportamento que a pessoa precisa ter a fim de poder elevar-se entre os gentios. Já que se elevar é libertar o ser da mediocridade material, fazendo-o se sentir livre através dos sentimentos mais puros da alma, então é preciso que uma disciplina haja sobre o corpo do fiel, motivando-o a sentir vontade de, a preferir isto a aquilo, a regozijar-se com o orvalho da manhã e com raízes de vegetais que em nada se assemelham ao desejo e à vontade pulverulentos motivados por outro tipo de disciplina, a do consumo, por exemplo.

É, acho que o Renato Russo tava dando uma de budista quando ele escreveu aquilo na letra da música, que “disciplina é liberdade”.

Não havendo regra nenhuma, os homens ficam à sorte do seu acaso. E acaso não estamos vivos? Acaso também as pessoas que habitam a “Ilha das Flores” não exercem sua liberdade? Liberdade sem disciplina, sem ser assistida, liberdade sem um dono! Mas sem disciplina, o que coloca aquelas personagens abaixo das prioridades dos porcos, disciplinados a engordar, a eles e depois aos seus donos, elas seguem confinadas a viverem no e do acaso – uma condição desfavorável à existência humana.



Escrito por Nelio Peres às 07h45
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A voz de quem lidera deveria ser a voz da razão (1ª parte)

A voz de quem lidera deveria ser a voz da razão. Mas, por todos lados, o que ouço são palavras vazias, de mera empolgação com o nada. Vide, senhores e senhoras, as palavras do “Chiquinho”, vulgo “Mão Santa”. Este sr. discursou no último dia 2 no Senado Federal, e disse serem as mulheres as únicas criaturas humanas portadoras de sentimentos verdadeiros. Será que ele queria bajular alguém nesse dia? Será que ele conseguiu? Só sei que, para fundamentar seu discurso, ele se apropriou de qualquer jeito do misticismo bíblico, e gritou: “Zé Gripino! Oh, Zé Gripino!!! O Pedro negou o que sabia por três vezes", bradou em tom debochado e, como sempre o faz, chamando pela atenção dos colegas. E emendou: "No ato da ressurreição, se ali estivesse um homem, não se saberia nada dessa história, pois este, por mais que visse o Cristo ressuscitar, diria depois estar bêbado e não ter visto nada. (...) Igual fazem os homens aqui dessa casa. Mas felizmente quem estava lá era uma mulher". Será que o deboche público ambulante quis dizer algo do tipo: os homens são retidos com aquilo que vêem, enquanto as mulheres são dadas às fofocas? Pelo menos o Senador ainda não atingiu a cúmulo de declarar-se Deus, o que seria hilariante. Mas deve sentir alguma semelhança com o Divino. Talvez, por conta da ironia do destino, marcada pela formação de médico que possui e que lhe rendeu a alcunha de “Mão Santa”, o que o torna “quase” Ele. Quem sabe, pelas circunstâncias históricas do momento que não lhe são favoráveis a empunhar tal estandarte. Uma coisa é digna de observação: o Senado Federal, inundado pelos perdigotos de denúncias esbaforidas, parece mais uma casa de homens mudos e mulheres tagarelas, que gesticulam para todos os lados sem indicar rumo certo para suas conversas.



Escrito por Nelio Peres às 07h06
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A voz de quem lidera deveria ser a voz da razão (2ª parte)

A voz de quem lidera deveria ser a voz da razão. Mas que razão há no discurso pedagógico que diz: "tu deves". A pedagogia da política apresenta essa forma de endireitar as posturas humanas, como que se todos os seres humanos devessem ser iguais, nivelados, por baixo! Poucos são os homens que sabem o que fazer; estes são raros. A maioria é educada nas escolas para poderem aprender o que devem fazer, como deve ser feito. Que nenhuma pessoa seja capaz de saber de si, sem haver antes uma orientação pedagógica. Eis uma séria contradição no sistema de ensino contemporâneo: educar massas homogenias, amorfas, sem vida criativa; seres obedientes, adestrados, bonecos de corda disciplinados e sem rumo, gente perdida nos corredores dos seus próprios castelos. E depois os gestores do ensino cobram em linguagem precária: "Pfessors!!!, onde tá a iniciativa e a criatividade dos seus alunos?" Não sei ao certo, gestores de língua desarticulada, mas acredito que estejam em algum bar, bebendo com o amor e as palavras.



Escrito por Nelio Peres às 10h48
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Amáveis Leitores

A pretensão que eu tenho com este blog é a de conversar com pessoas interessadas em assuntos cotidianos da vida política brasileira (talvez, extrapolando esse limite). Costumes em comum - e fora do comum também! - serão abordados aqui com a máxima seriedade possível. Pelo menos é o que eu pretendo conseguir. A "ordem e o progresso", antes de apologia nacionalista, é mais uma ironia à situação na qual nos encontramos submetidos. Pretendo considerar esses dois elementos em sua positividade, mas de forma escancarada, como elementos representativos de um ideal a muito mascarado pelas formas do discurso contemporâneo. Conversar sobre as práticas sociais dos seres humanos, os motivos das suas ações, dos seus meios e das suas finalidades serão tentativas de desenhar um quadro de idéias que possam nutrir nossos pensamentos. Juntos, quem sabe, pensaremos a situação constrangedora a que nossa condição humana chegou no século XXI. 



Escrito por Nelio Peres às 09h39
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