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Cotidiano e Memórias


DO DIA DE FINADOS

A morte é tão permanente! Em qualquer momento ela se manifesta. Ali, acolá, hoje, ontem e amanhã também ela virá ter com os convivas do mundo. A vida, apesar de permanente também, já é sentida ao contrário, porque se está o tempo todo querendo viver, buscando viver. Deste ou daquele jeito, mas invariavelmente se deseja viver. E isto é tão insensato que o projeto de vida da humanidade se baseia em querer viver mais e melhor. Desejo de intensidade, que às vezes até se esquece da permanência da morte.

Há mais de 30 anos existe uma campanha mundial que diz “dirija com cuidado”. O objetivo desse slogan é o de lembrar àqueles ocupados em buscar a vida que a vida já é, e que é a morte que pode aparecer logo ali na esquina. Talvez fosse pertinente lembrar aos mais apressadinhos que a morte está agarrada à janela, junto à porta dos seus carros, nos postes de luz, nas buzinas atrevidas, na vontade de fazer média com o gerente do trabalho sendo pontual, e não se deixando atrasar por causa do trânsito – ou do sono também!

Do mesmo jeito que o casal vida/morte é permanente, os mortos também o são. E sempre serão permanentes os mortos, independente da possibilidade mística do retorno ou, se há um outro lugar para as almas irem ter com o Divino, independente também desse “outro” mundo. Pelo que se sabe até aqui só aos vivos não foi dada a qualidade da permanência. Os que não foram ainda, irão! E os que virão também hão de ir!!!

Acaso podes ser um dia, para os vivos, um morto permanente e, quiçá, nem se lembrarão mais de você do jeito que poderia ser lembrado. Alguns, apenas notarão sua memória em decorrência dos registros de cartório ou placas de identificação nos cemitérios. Outros, não poderão sequer saber daqueles que não possuem registro civil de entrada no mundo, o que inviabiliza o registro de saída. Mas para a vida/morte os papéis dos homens pouco importam.   

Por isso, cuide da sua vida!



Escrito por Nelio Peres às 22h52
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Querido(a) leitor(a), o texto que segue abaixo foi dividido aleatoriamente em nove partes, sendo que as oito partes iniciais formam um texto único, enquanto a última apresenta algumas referências para uma eventual consulta para quem se interessar pelos tópicos da discussão. Espero poder suscitar algum debate com o texto de circunstância acadêmica, apesar de não ser esta a natureza que motiva este blog. Minha pretensão é dividir com você, leitor(a), minhas suspeitas sobre um dos mais variados tópicos da educação contemporânea, como forma de contribuir para as minhas reflexões. Então, leia e comente, como de costume.

Escrito por Nelio Peres às 00h02
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Campo de Atuação do Profissional Pedagogo: reflexão[1]

 Nélio Borges Peres[2]

 

De acordo com a tradição moderna, a Pedagogia é uma instituição voltada para os cuidados da formação humana. E enquanto ciência formadora de profissionais da educação, ela deve atuar no âmbito da formação de crianças, jovens e adultos, a fim de prepará-los para a vida em sociedade, humanizando os indivíduos (MANACORDA, 2004), no sentido de promover as condições básicas para que eles se tornem trabalhadores cidadãos (GOMES, 2005).

Acontece que a Pedagogia foi encastelada na sociedade moderna, numa concepção política conservadora que lhe atribuiu funções especificamente formais, limitadas ao âmbito escolar e caracterizadas pelo exercício da formação técnica, numa concepção instrumental e utilitarista, que defende a idéia do enquadramento dos indivíduos na vida social em torno da atividade do trabalho. Quanto a isto, o filósofo-historiador francês Michel Foucault, disse se tratar de uma educação que disciplina o indivíduo e prepara-o para a vida social com obediência, adestrando o corpo de cada um, tornando a vida em sociedade um ambiente propício para os interesses da empresa moderna que nascia sob as luzes dos séculos XVIII e XIX (FOUCAULT, 2003).

Desta forma, a mentalidade moderna enraizou a concepção de uma educação técnica profissionalizante de forma reducionista, em detrimento da educação intelectual, formadora do espírito humano, divorciando definitivamente o homo sapiens do homo faber, dentro de uma estrutura pedagógica vertical que, no seu bojo, naturalizou a formação intelectual de um grupo restrito de pessoas privilegiadas, enquanto que ao restante da sociedade coube freqüentar um tipo de instrução meramente preparatória para o saber fazer. Os trabalhadores cidadãos dos séculos XIX e XX acabaram reduzidos a seres obedientes, homens e mulheres, todos disciplinados a agirem, sem saberem pensar sobre suas próprias ações (FREINET, 1998).



[1] Texto elaborado exclusivamente para a Oficina Pedagógica: As Dimensões de Atuação do Profissional Pedagogo no séc. XXI, organizada dentro do III Congresso de Pedagogia da Faculdade Padrão – Goiânia/GO, dia 31/10/2007.

[2] Mestre em História e Cultura (Política) pela UNESP-Franca/SP. Professor de História da Educação e  Iniciação Cientifica na Faculdade Padrão – Goiânia/GO.



Escrito por Nelio Peres às 23h54
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Na perspectiva que pensa a estrutura para a ação pedagógica transformadora, foi que se construíram os debates contemporâneos em torno do resgate do sentido histórico da pedagogia enquanto instituição formadora de homens e mulheres melhores, para a vida social e não apenas para o labor industrial e competitivo do mercado liberal. A idéia do melhoramento do ser humano passou a ser vista pelas políticas oficiais dos governos nos Estados modernos como uma forma de se associar o corpo do homem às engrenagens da máquina produtiva, sem prejuízo para a economia e com um sombrio destino para a humanidade: a desumanização do Homem, como mostra Chaplin, no seu filme intitulado acertadamente de Tempos Modernos.

As concepções mecanicistas, reducionistas e utilitaristas que se formaram sobre a educação e, conseqüentemente, sobre o papel do pedagogo na sociedade moderna, provocaram a naturalização do anti-natural, ao incumbir a escola de ser o espaço ideal para o preparo dos homens para o trabalho, em detrimento do sentido original da Pedagogia, que sempre foi o de preparar o homem para a vida, tornando-o humanamente melhor (CAMBI, 1999).

A partir daquele modelo pedagógico, historicamente construído pela sociedade moderna, é que se tem desenhado os limites para o debate contemporâneo sobre o papel da Pedagogia e o ofício do Pedagogo. Principalmente, porque é a própria formação do pedagogo que entra em questão quando pensamos em quem prepara as crianças, os jovens e os adultos para se tornarem trabalhadores cidadãos. Isto implica em olhar para os cursos de Pedagogia a fim de perceber como é que se processa a formação do profissional que também deveria ser preparado para a vida, e não somente para o exercício técnico de suas funções laborais (FONSÊCA, 2006).

Fonseca[1], em um artigo sobre os espaços de atuação do profissional pedagogo, disponível na rede mundial de comunicação, possibilita perceber o sentido da desconfiança que tem levado muitos educadores a buscarem alternativas para a condição normativa na qual se encontra a Pedagogia atualmente. Segundo ele, o que acontece é que os próprios cursos de Pedagogia encontram-se divididos: de um lado, para a formação de bacharéis e, de outro, para a formação de licenciados. O próprio tempo para a formação do profissional pedagogo é posto em xeque pelo autor, quando este avalia os espaços crescentes para a atuação deste tipo de profissional. Cursos cada vez mais reduzidos, em seu tempo de conclusão e nos seus currículos, preparam profissionais para serem meros repetidores das técnicas desenvolvidas para o enquadramento dos indivíduos, de acordo com a lógica economicista e utilitarista da racionalidade produtiva. E isto, com total apoio das políticas oficiais que se confundem no momento da aplicação das suas intenções.



[1] O artigo de Fábio do Nascimento Fonseca foi utilizado como parâmetro para a presente reflexão, e está disponível no site: http://www.wikilearning.com/referencias-wkccp-16458-2.htm



Escrito por Nelio Peres às 23h54
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Segundo Fonseca, é inegável o valor e a emergência dos debates sobre este tema, principalmente porque à execução das políticas oficiais sobre a educação cabe aos educadores o papel de melhorar, e não apenas o de executar o que está posto. E melhorar não significa adestrar, enquadrar o indivíduo de acordo com a lógica reducionista dos operadores do capital, mas sim tornar os indivíduos aptos para o exercício da sua cidadania, humanizando “novamente” o homem e criando possibilidades para que ele consiga se realizar como tal (ANTUNES, 2000).

Ao adentrarmos os portões deste limiar do século XXI, todos, homens e mulheres, somos “preparados” para o alargamento de nossas vidas graças às possibilidades abertas pela globalidade do mundo. Isto significa que nossos espaços de ação ganham novos contornos e exigem de nós maiores e melhores conhecimentos sobre aquilo que desejamos e precisamos realizar (IANNI, 2002). Quanto à Pedagogia e ao profissional pedagogo, especificamente, são atribuídos novos valores ao mesmo tempo em que permanecem as velhas práticas da tradição reducionista na educação. Quem é o profissional pedagogo e para o que ele serve em nossa sociedade contemporânea? Essa é a questão que pretendemos suscitar neste momento.  

Mas primeiro é preciso considerar a sociedade na qual agimos e sobre a qual pensamos. As transformações do mundo global passaram a exigir mais flexibilidade e maior empenho por parte dos profissionais de todos os setores. E com os pedagogos acontece o fenômeno de serem chamados, agora, a atenderem outras demandas por educação que extrapolam os limites formais da educação escolar (DEBREY, 2003).



Escrito por Nelio Peres às 23h53
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A sociedade precisa de pessoas melhores. Empresas, Hospitais, Centros de Formação de Condutores, Escolas de Computação, Times de Futebol, dentre tantas outras instituições, passaram a necessitar de profissionais mais bem capacitados para o exercício de suas funções. As cidades, o campo e todo meio ambiente no qual o homem se insere passou a precisar de um indivíduo que conheça melhor os ciclos de produção e que esteja bem informado sobre as conseqüências das suas ações para o ambiente no qual eles vivem. Os governos precisam de cidadãos afeitos ao exercício de suas funções sociais, a fim de promoverem com certa relevância suas políticas públicas, com menos desperdício e com mais produtividade. E para isto a educação passou a ser vista como um fenômeno que se manifesta em todos os lugares onde o homem esteja inserido. Qualquer lugar em que haja homens e mulheres deve haver ensino e aprendizagem. E é aqui que o profissional pedagogo se insere.

O trabalhador cidadão, que antes devia ser educado formalmente pela escola, para a atividade produtiva, limitada ao âmbito do capital, começa a ter de reaprender suas funções dentro da sociedade. O tempo livre do trabalho, por exemplo, enquanto momento de lazer e descontração, passa a ser delineado pela racionalidade contemporânea como sendo um momento de aprendizado. O lazer produtivo ou, o “ócio produtivo”, para usar um termo do famigerado sociólogo italiano Domênico Demasi, torna-se  o instante no qual o trabalhador cidadão deve reaprender os seus hábitos, adequando seu entretenimento cotidiano ao exercício de responsabilidades civis, adequadas ao ambiente no qual ele, e outros iguais a ele, se inserem. Deixando de lado as conseqüências obscuras deste tipo de pensamento sobre o ócio para o trabalhador, cabe fazer uma ressalva: na medida em que o tempo livre é invadido pela idéia da produtividade, o ser humano mergulha mais ainda na sua desumanização porque é remetido ao cumprimento de tarefas que extrapolam o âmbito da empresa e da sua jornada de trabalho sem, ao menos até aqui, nenhum tipo de prejuízo para seu empregador. Na visão do sociólogo Ricardo Antunes, opera-se o oposto do imaginado, porque os empregadores desejam cada vez mais funcionários que levam trabalho para a casa, ou que se reúnam para um lazer coletivo que propicie discussões sobre questões pertinentes para se melhorar o desempenho da empresa na qual prestam serviços. (ANTUNES, 2000).



Escrito por Nelio Peres às 22h24
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Mas, voltando ao tema original deste texto, cabe o profissional pedagogo prestar seus serviços à sociedade, no sentido de melhorar cada vez mais as condições para que as pessoas consigam desenvolver suas potencialidades cívicas com ética, tendo suas ações baseadas em valores transmitidos pela educação (MÉSZÁROS, 2005). Enquanto valor moral, o tempo livre ganha novas dimensões e as pessoas passam a ter de adequar seus hábitos e costumes às novas posturas exigidas pela sociedade. A vida coletiva exige uma ética que a sociedade reclama, mas da qual ela permanece alheia. Uma ética do humano, para parafrasear Leonardo Boff, onde as pessoas estejam comprometidas com suas funções e ao mesmo tempo exerçam as mesmas, mas reconhecendo o caráter humano das ações que devem empreender para a espécie e para o meio ambiente no qual a espécie se produz.

Pensando nisto, muitas empresas tem lançado mão da contratação de pedagogos. Fora do âmbito escolar, da formação presencial e das atividades avaliativas dessa formação, ao pedagogo é destinado um novo espaço, muito mais amplo do que o da tradição escolar e, por isso mesmo, muito mais complexo, porque envolve todo o espaço social de ação humana. E isto, por si só, basta para percebermos o quanto à ação pedagógica se exige pedagogos capazes de darem conta das novas demandas sociais.

No que consiste à chamada Pedagogia Empresarial, por exemplo, para melhorar o desempenho dos funcionários de uma empresa, são chamados os pedagogos, que devem atuar no sentido de formarem, permanentemente, as consciências da mão-de-obra que, historicamente, limitavam-se ao fazer técnico instrumental, de saberes reduzidos ao âmbito da operacionalização da máquina. A “pedra angular” da Pedagogia permanece, mesmo fora da esfera escolar, pautada pela ética e pela moral (FONSÊCA, 2006).

Mas que tipo de pedagogo conseguirá exercer tal função, se a própria estrutura da sua formação não lhe possibilitar condições favoráveis para este fim? Neste caso, mineiramente pensado (desconfiado!), o alargamento do campo de atuação do pedagogo pode parecer ser apenas um aspecto quantitativo. Mais lugares para atuar da mesma maneira tradicional, reducionista, com que ele aprendeu a atuar durante a sua formação acadêmica. É por isso que se precisa cuidar de analisar esta questão de forma mais abrangente, com uma complexidade maior que o tempo destinado a esta comunicação.



Escrito por Nelio Peres às 22h24
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As mudanças de concepções sobre os espaços do pedagogo decorrem das novas relações sociais produzidas a partir das novas formas de produção que, por sua vez, são criadas pelas novas técnicas produtivas, como já diagnosticara Marx, em O Capital. As novas relações entre capital e trabalho exigem que os trabalhadores sejam mais do que operadores de máquinas (ANTUNES, 2000). Da mesma forma, no que diz respeito aos pedagogos, a sociedade espera que eles sejam mais do que amestradores de crianças, jovens a adultos. A ação pedagógica, dentro e fora da escola, exige dos pedagogos que eles sejam transmissores de saberes e não apenas de técnicas. Conhecimentos, conceitos, habilidades, hábitos, procedimentos, crenças, atitudes, são saberes teóricos e práticos necessários à formação dos indivíduos. Mas antes de tudo, são saberes necessários à formação dos próprios pedagogos.

É chegado momento de se usar o “martelo” para poder pensar a pedagogia. Quebrar tábuas de valores e enterrar os ídolos, para usar pretensiosamente os termos elaborados por Nietzsche no final do século XIX. Isto, posto a lembrança do pensamento de Fonseca em seu artigo que originou a presente reflexão.

Segundo este professor lá da Paraíba, Beillerot (1985) e Libâneo (2002) empregam um termo que diz que a sociedade contemporânea tornou-se uma “sociedade pedagógica”. Para Fonseca, o que Libâneo diz sobre isto é significativo, e vale para interpretar o pensamento atual sobre a ampliação da atuação do pedagogo. O que Fonseca considera importante no pensamento de Libâneo é o fato de que nele, a Pedagogia tradicional traz em seu bojo práticas concebidas de forma utilitária, reduzidas ao ensino de técnicas e posturas conservadoras destinadas apenas ao enquadramento social dos indivíduos, sem ao menos possibilitar-lhes as condições básicas para o exercício da sua autonomia. Como conseqüência disso, a “sociedade pedagógica” corre o risco de ser uma sociedade de indivíduos inaptos para o pensamento e para a reflexão das suas práticas, dificultando assim o exercício da ética, da moral e por extensão, da cidadania (FONSÊCA, 2006).



Escrito por Nelio Peres às 22h23
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Por outro lado, uma formação exclusivamente teórica implica na formação de indivíduos inaptos para a atividade produtiva, uma vez que não recebem os ensinamentos necessários para a formação de suas habilidades práticas (Idem). Parafraseando quase sem querer a doutrina milenar budista, o que os educadores indicam é que deve haver um “equilíbrio”, buscando-se atingir o “meio termo” dessas questões. Principalmente, porque elas não são antagônicas, como às vezes são colocadas. O saber fazer e o saber pensar devem se completar, sempre a fim de que os homens e as mulheres possam convergir para a formação de uma sociedade sóbria e equilibrada sobre os seus próprios paradigmas contemporâneos.

Mesmo assim, as políticas oficiais estão postas contra esses ideais debatidos até aqui, e quando são levadas a termo pela prática, o que se percebe é que quanto maior for a desconfiança melhor para o observador será, caso este tenha interesse em compreender de fato o que está sendo processado atualmente em torno dele. Ora, ao mesmo tempo em que se aplica o reducionismo, de forma a instrumentalizar a formação do pedagogo e dos indivídios que são formados por eles, cobra-se também uma formação sólida por parte de quem irá exercer a educação. – Dá-se a faca a um mineiro na medida em que lhe impedem de cortar o queijo.

Na visão cuidadosa de Fonseca, a proliferação dos cursos de Pedagogia tem privilegiado a formação técnica instrumental dos alunos em detrimento da formação teórica. Ensinam-lhes as habilidades direcionadas para os nichos do mercado, sugerindo a formação de profissionais da educação com competências para o exercício técnico profissional de formação fragmentada, focada na exclusiva atuação em campos delimitados da prática educativa, forçando-os a crerem numa pedagogia limitada apenas à formação na infância das crianças. A ênfase dada por esses cursos recai sobre a prática reducionista, centrada na separação do homo sapiens com o homo faber.  Ora, é equivocado pensar num curso de pedagogia que sonegue dos alunos o conhecimento das práticas de ensino, do mesmo modo que também é equivocado pensar o contrário. Um curso de Pedagogia que sonegue dos alunos o conhecimento teórico também esta fadado ao fracasso (FONSÊCA, 2006).



Escrito por Nelio Peres às 22h23
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Em qualquer área de atuação do pedagogo, a sua prática exigirá dele experiências com estudos sistemáticos e muito mais avançados no campo da educação, a fim de que ele possa responder aos desafios que ora se apresentam. A redução do saber pela aprendizagem técnica cria profissionais capazes de promoverem adaptações úteis dos indivíduos na demanda do mercado. Mas isto é permitir que a tarefa educacional se subordine à lógica do capital. E nessa lógica, a naturalização das práticas põe em risco a própria formação, reforçando a desconfiança em um futuro obscuro e tenebroso para a sociedade que carece de indivíduos críticos, afeitos ao estudo e à investigação da sua própria condição enquanto seres humanos.

A dimensão ética na educação das crianças, dos jovens e dos adultos visa a preparação moral de valores para que as pessoas possam se inserir na vida social, participando como cidadãs enquanto vão sendo ocupadas por práticas produtivas no mundo do trabalho (MÉSZÁROS, 2005). Por isso, a prática educativa não pode ser entendida apenas na sua dimensão instrumental, desconsiderando o sentido ético e a intencionalidade política de cada ação. E é por isso que vem se dando ênfase na atenção que deve ser dirigida ao se pensar no alargamento da profissão do pedagogo.

Os novos espaços estão aparecendo na medida em que o fenômeno do alargamento do alcance da pedagogia cria a ampliação de atuação do pedagogo no campo da vida social. A Pedagogia não é limitada mais ao âmbito formal da escola, mas os seus princípio éticos de formação humana permanecem em todos os lugares onde ela alcança. A nós, cabe compreender esse processo e cuidar de elucidar a quem ele realmente serve, explicitando e acusando as suas contradições.  



Escrito por Nelio Peres às 22h22
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REFERÊNCIAS

      

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao Trabalho?: ensaios sobre a centralidade e as metamorfoses do mundo do trabalho. São Paulo: Cortez, 2000.

 

CAMBI, Franco. História da Pedagogia. Trad. Álvaro Lorencini. São Paulo: Unesp, 1999.

 

DEBREY, Carlos. A Lógica do Capital na Educação Brasileira. Goiânia: Ed. Alternativa/UCG, 2003.

 

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Trad. Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1987.

 

FREINET, Célestin. A Educação do Trabalho. Trad. Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

 

GOMES, Ângela de Castro. A Invenção do Trabalhismo. Rio de Janeiro: FGV, 2005.

 

IANNI, Octávio. O Cidadão do Mundo. In: LOMBARDI, J. C., SAVIANI, D. & SANFELICE, J. L. (orgs.) Capitalismo, Trabalho e Educação. Campinas: Autores Associados, 2002.

 

FONSÊCA, Fábio do N. Acerca da Ampliação dos Espaços de Atuação do Profissional Pedagogo: inquietações, ponderações, cautelas. In: http://www.wikilearning.com . (Acesso em 26/10/2007).

 

MANACORDA, Mário A. História da Educação: da antiguidade aos dias atuais. São Paulo: Cortez, 2004.

 

MÉSZÁROS, István. A Educação para Além do Capital. Capinas: Boitempo, 2005.



Escrito por Nelio Peres às 22h22
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Elogio ao Professor

No Planalto se ouviu dizer, senadores e deputados disseram de verdade: “Parabéns, a todos professores e professoras deste País”. É dia de pensarmos as políticas públicas destinadas para que se faça a educação do nosso país funcionar. Ouvis-te bem, leitor: “para que se faça a educação ... funcionar” Se fosses um leitor desavisado poder-te-ia argüir, de si para si: Mas como, quer dizer que não funciona? E nos outros trezentos e tantos dias, nos quais quase nada de relevante funciona para as pessoas em Pindorama, o que se faz? Algumas respostas já são anunciadas e, oficialmente e extra-oficialmente, parecem convergir para as bravatas e ladainhas de sempre. Mas vamos lá, ao menos o tema ainda é discutido.

 

Oficialmente:

Segundo o sr. Deputado Federal Paulo Pain (PT/RS), existem conferencias sérias que discutem a educação no Brasil e que, inclusive, estive presente em uma, realizada ainda a pouco, na cidade de Porto Alegre, na qual foi palestrante. Em eventos como estes (exemplo do “Pensar 2007”), pessoas conhecidas no fabuloso mundo da mídia são convidadas (com soldo adiantado), para falarem sobre o “seu” tema. E falam. Falam, dizem, mostram gráficos coloridos e até orientam os mais desorientados. Alguns, mais emocionados, até choram (de raiva ou de paixão?) com as representações encenadas. Nesses lugares, as pessoas buscam ficar felizes. Escutam dedicadamente cada palavra, cada frase e anotam tudo que soa como efeito para os seus sentidos. Aprendem truques novos que poderão ser reproduzidos em salas de aula. Confirmam opiniões pessoais sobre a situação do ensino. E regozijam ao descobrirem que pertencem ao universo educacional pintado pelos pseudo-renascentistas da nossa educação (que estão mais para dadaístas!).  

No Senado, o sr. Papaleo Paes (PSDB/AP), que se diz ex-professor (por ter lecionado durante cinco anos, enquanto concluía os estudos de medicina), disse que o Poder Executivo tem realizado efetivamente pouco em relação à aplicação das verbas destinadas ao ensino em Pindorama. E num ato de bravura e coragem, bateu sistematicamente num morto. É que ele estava falando do papel do Estado no ensino! Ora, a ausência do Poder Executivo nas práticas sociais não é moda nova. Qualquer pessoa instruída sabe que esta forma de exercer o governo, diminuindo o papel do Estado, é prática ideológica e figura discursiva do ninho tucano. Mas vá lá, sr. Papaleo, hoje é dia 15 de outubro, é dia de falar sobre os professores e a educação para alfinetar o adversário.

Extra-oficialmente: (e ainda bem que isso existe), já ouvi carro de som acusar professores em greve de vadiagem: “Tem gente que reclama demais, não quer trabalhar e quer ter aumento de salário”. E desta mesma forma embriagada, já ouvi poetas cantarem pelas ruas: “Professor, agente transformador/ Do teu ofício docente, faz um País trabalhador”. São outras duas impressões, digamos assim, apaixonadas, sobre a mesma coisa.

 

A Esquerda, acredita no diálogo transformador. A Direita, mantém sua proposta de transformação do diálogo. Ao centro, um governo vermelho e azul, desfraldado sob um fundo branco. Dialoga, transformando seu próprio discurso em nome da governabilidade.  Dentro do miolo da massa esquecida vão crescendo os fungos. A espuma verde espera, porque esperar é o verbo que mais age em Pindorama e no Mundo. Naturalizou-se o processo social em torno da mecânica. A massa precisa esperar para poder ficar pronta. Enquanto isso os padeiros vão tomando conta do pedaço.

Ser nobre, em Pindorama, é questão de opinião, diria o um professor e escritor, personagem do filme Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi. Será que é por isso que não precisamos de bons professores para todo mundo em idade escolar ideal? Será que precisamos de bons paliativos que não deixam a massa se perder com idéias criativas, em ações questionadoras que visam à transformação, de fato, nos hábitos e costumes (também) dos padeiros?

 

Costumo acreditar que existem coisas muito piores do que as que são ruins. Mas me agarro sempre na esperança de que algo de bom sempre possa aparecer. E fico de olho pra fazer acontecer. Claro que nem sempre é possível, agente se cansa, as traições aparecem, os meios não ficam mais disponíveis, e agente pára. Mas logo começa tudo outra vez, e assim se continua indo. Por isso, prefiro olhar para o Dia 15 de outubro como mais um dia do ano. O meu humor não altera por ser um dia disto ou daquilo. Não causa efeito emocional. Por enquanto, prefiro seguir crente na minha fé, de tipo classe média. Vou continuar agindo e esperando, ficando verde enquanto vivo.



Escrito por Nelio Peres às 10h40
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Pensar (2007): o que pensar?

A elite intelectualoide goiana está regozijando. Parabéns! Vocês conseguiram se superar. Aliás, vocês não se cansam de se superar!

Esta noite, dia 5 de outubro, arrisquei uma atividade de campo com alguns discípulos, alunos e alunas do curso de Pedagogia, no qual sou professor de História de Educação Brasileira, e fomos ao Congresso Pensar (2007), em Goiânia. Mais uma vez as terríveis propagandas midiáticas realizaram um marketing feroz, e anunciaram o momento de se pensar a educação goiana e nacional, a partir daquilo que é produzido pela inteliguencia em Pindorama, explorando descaradamente a boa fé da população local.

 

Na prática, assistimos à permanência da moribunda estrutura educacional brasileira, falida: conferências para a elite e estandes repletos de panfletos que convidam os transeuntes a se inscreverem num curso ou noutro – todos, claro, oferecendo as melhores condições de pagamento e as melhores soluções para os problemas existências de cada um. Estratégias para uma educação como negócio. O império da propaganda venceu mais uma vez. Parabéns, El Populary, você mostra mais uma vez o poder da mídia de transformar a ficção em realidade, em um pitoresco benefício, que de fato só serve para a promoção do capital.

 

Quem esteve no Pensar em outros anos, ou mesmo nesta semana, por pelo menos alguns minutos, pôde perceber que existe uma divisão que culmina em dois eventos feitos num só, ao mesmo tempo ocorre o Pensar da elite e o Pensar do povo.

 

De cima para baixo, as conferências, geralmente sobre temas relevantes, mas que quase sempre acabam em cerimônias egocêntricas, com conferencistas e palestrantes misturando os seus temas com as suas vidas pessoais. De baixo – que quase nunca vai para cima –, estandes promocionais de instituições de ensino vendendo e anunciando seus produtos. Vá lá, existem estandes interessantes, como os que mostram trabalhos de estudantes de diversas instituições locais e outros que promovem vendas de livros e artigos para a educação. Mas a proposta estampada nos noticiários, a de pensar a educação, permaneceu longe da realidade anunciada com estardalhaço.

 

Talvez, agora que escrevo essa opinião, seja possível criar conjectura sobre o por que não vi a presença de um estande da UFG por ali (acaso alguém viu?). Quem sabe essa instituição preferiu reservar sua imagem para algo feito de forma mais séria? A Universidade Católica estava lá, imponente, com um avião – isso mesmo, um avião! – anunciando sua marca. Creio que esta tenha sido uma estratégia simbólica de maior envergadura para fazer pensar um dos mais antigos paradigmas educacionais: a introspecção. Sim! Pois quando me deparei com a aeronave estacionada no salão, fui imediatamente tomado por uma cena escolar e lembrei daqueles momentos em que os alunos ficam com o pensamento longe, voando na sala de aula.

 

Em outro estande, onde as pessoas pareciam demorar mais tempo olhando, estavam expostas fotografias de uma das maiores tragédias radioativas do mundo. Pensei nas pessoas que morreram, nas que ainda vivem com seqüelas, e o que é pior, no tempo que já passou e no qual a Justiça (ainda) não justificou ser justa.

 

Mas estas considerações não são só minhas. Como disse ali em cima, estava acompanhado por alguns grupos de acadêmicos. E nossas percepções não foram muito diferentes, pelo menos no que diz respeito à leitura histórica da realidade, objetivo do exercício de observação. Não pude ler os seus relatórios ainda, porque serão entregues na semana que vem, mas o que o mestre de ofício ouviu de alguns aprendizes é considerável. Coisas do tipo: quem pode pagar para participar dos espetáculos destinados à elite goiana participa, quem não pode pagar pelo produto anunciado se contenta em ter a sensação de ter participado. Nada de novidade. O evento goiano conseguiu ser mais uma vez um momento de promoção da educação como espetáculo.

 

O discurso elitista, em suas elucubrações academicistas, recebe os aplausos nos auditórios abarrotados de clientes e o povo passeia em meio aos panfletos e ventiladores de teto que despejam um arremedo de água para aliviar o calor. Agora resta esperar pelo desfecho de tudo isso no telejornal de segunda-feira: “um sucesso de público”, é o que provavelmente se verá nas manchetes. E alguns comentaristas terão o disparate de dizer que o público está tomando consciência da necessidade de se pensar a educação e que, no ano que vem, os organizadores devem esperar por um número maior ainda de participantes. E se estas previsões que faço forem mesmo comprovadas na semana que vem, a mídia local fechará com chave de ouro aquilo que ela mesma consegue criar: um fetiche.



Escrito por Nelio Peres às 09h56
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JORNALECOS: dominação mental e empresa de capitais.

A comunicação de massa em Pindorama ressalta coisas sobre guerras, fotografias vermelhas e manchas em meio aos classificados, marcas de hidratante e receitas de como ser feliz. Acordarmos como que se estivéssemos dormindo, sonhos lindos em lugares limpos e saudáveis tomam o nosso redor. Do caos midiático precipitam anúncios de concurso público e a esperança de que tudo deve mudar. (Viva a mídia!) Com ela tudo tem uma “boa explicação”. Até a miséria humana. Despertamos do sono fisiológico para adentrarmos no fabuloso, no fantástico mundo da mídia, que ecoa como o arauto das boas intenções. Nada se explica, nada se discute, a não ser os bumbuns das moças bonitas das novelas e propagandas de cerveja. Nada sobre a possibilidade que Pindorama tem para ser um país de verdade, ao invés desse arremedo insólito de nação multiétnica embutida de objetivos comuns em torno de um mesmo projeto nacional.

Na província dos Goyasis, por exemplo, a mídia local, aprendiz de feitiçaria dos engenhos Rio-São Paulo, fala sobre a beleza do burgo descolado pelas bandeiras: praças limpas, arborizadas, canteiros de rosas esparramados nas avenidas, meninas com estilo manequim da Revista Brazil e muita música chula confundida com obra de arte em meio ao calor do deserto. As notícias são tão bem vestidas de palavras e imagens que quase acreditamos em tudo que dizem ser feito nos espaços de circulação da província do pequi. Graças ao quarto poder, o poder de comunicação da mídia, como os hodiernos Dyario de la Manhãna, El Populary, Tevî-Ayangueras e outros associados locais. Que vontade que dá de ser amigo da mídia! Tão competente no exercício do seu metier! Podemos lembrar, que enquanto os “novos” déspotas esclarecidos faturavam com os soldos emitidos pela Avestruz Máster, a mídia pequizeira preferiu incentivar o médio populacho a investir economias inteiras num “negócio da china”, com um lucro que seria garantido por um rendimento mensal que chegaria até os incríveis 5%. Mas ao preferir incentivar a compra de ações, a mídia também optou pelo oposto da sua virtude e, contrariando os princípios do jornalismo ético, deixou de informar as pessoas sobre como aquela empresa organizava seu caixa para poder redistribuir tais rendimentos com os investidores e nem de longe discutiu a origem e os antecedentes da mesma no interior paulista, onde já havia ocorrido o mesmo tipo de golpe financeiro.

Para os donos de jornais, senhores de engenho da comunicação local, déspotas esclarecidos numa terra de gente semi-alfabtizada e sedenta por riqueza fácil, nada foi dito sobre os fatos que alguns repórteres encontraram nas visitas in locu; nada sobre o número de aves dentro da empresa, inferior ao número dos registros de posse de aves encontrados com os investidores depois da investigação federal; nada de duvidar dos lucrativos juros superiores aos de quaisquer outros tipos de investimento bancário em Pindorama. Depois da derrocada empresarial, Polícia Federal rondando a cidade, coube apenas anunciar aquilo que todo mundo já estava sabendo, tremendo rombo pra quem comprou ações da empresa. Por que não informar as pessoas, os colaboradores da mídia? Isto é sonegar informação! Com certeza é (também) incentivar o instinto patriótico de enriquecimento fácil, existente desde os tempos em que nossos patrícios mancebos e mal cheirosos pisaram aqui em Pindorama. Mas de que vale tal incentivo? “Ora, se o meu lucro pode ser inevitável, por que impedir que ele aconteça?”, argüiria inteligentemente de si para si um bom senhor de engenho.

 

(Disponível também no blog Dexistencialismo)



Escrito por Nelio Peres às 08h06
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Rebeldia Disciplinada

A geração dos anos 80 é uma geração de rebeldia disciplinada, quanto a isto não há dúvidas (ainda), pois se pensarmos no Defala ou no Joelho de Porco, seremos levados a rever esse pensamento sobre a década do néon, que também nos empresta o surgimento da Língua de Trapo. Quanto ao Renato Russo, lembro de ter visto no programa do Chacrinha alguma coisa a respeito de uma tal legião urbana que eu não entendia muito bem o que era e que fazia eu pensar em desenhos animados sobre a legião estrangeira. Bem, não é isso exatamente um comentário sobre a rebeldia disciplinada que o roqueiro candango quis expressar no seu imaginário pop, mas é que não pude deixar de citar essa lembrança que saltou agora sobre o teclado.

Se o hinduísmo é uma matéria que transcende a realidade para poder experimentar outras formas de explicação para a existência das pessoas, então acredito que a indagação importantíssima que questiona se a disciplina enquanto liberdade é uma forma de religião, deve ser considerável. No hinduísmo é preciso ter disciplina mental para a reflexão dos atos cotidianos. Assim como no seu filho, o Budismo, a fim de se atingir o Nirvana. Tal ascensão se dará no momento em que a alma deixa o corpo para ir ter em outro lugar, superior à realidade material que podemos conhecer em vida. Mas para que se possa sentir a liberdade, digamos, no plano material, é preciso que o hindú tenha disciplina para fazer suas meditações e poder viver sentindo-se realmente livre, cada um em sua casta.

Essa disciplina é um modo de ser, um tipo de conduta, comportamento que a pessoa precisa ter a fim de poder elevar-se entre os gentios. Já que se elevar é libertar o ser da mediocridade material, fazendo-o se sentir livre através dos sentimentos mais puros da alma, então é preciso que uma disciplina haja sobre o corpo do fiel, motivando-o a sentir vontade de, a preferir isto a aquilo, a regozijar-se com o orvalho da manhã e com raízes de vegetais que em nada se assemelham ao desejo e à vontade pulverulentos motivados por outro tipo de disciplina, a do consumo, por exemplo.

É, acho que o Renato Russo tava dando uma de budista quando ele escreveu aquilo na letra da música, que “disciplina é liberdade”.

Não havendo regra nenhuma, os homens ficam à sorte do seu acaso. E acaso não estamos vivos? Acaso também as pessoas que habitam a “Ilha das Flores” não exercem sua liberdade? Liberdade sem disciplina, sem ser assistida, liberdade sem um dono! Mas sem disciplina, o que coloca aquelas personagens abaixo das prioridades dos porcos, disciplinados a engordar, a eles e depois aos seus donos, elas seguem confinadas a viverem no e do acaso – uma condição desfavorável à existência humana.



Escrito por Nelio Peres às 07h45
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